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01-06-2021

EXPOSIÇÃO DE AUTO-RETRATOS CELEBRA O DIA MUNDIAL DA CRIANÇA NA ULSBA

Para assinalar o Dia Mundial da Criança, está patente ao público a partir de dia 1 de junho, a exposição de pintura “Olho ao espelho e vejo”.

A exposição pode ser visitada no Serviço de Psiquiatria de Infância e Adolescência (SPIA), no piso -1 do edifício do Departamento de Psiquiatria de Saúde Mental (Hospital de Beja) até ao próximo dia 15 de junho.

A EXPOSIÇÃO

Dentro das atividades pensadas para o Dia Mundial da Criança, foi dinamizada a elaboração do auto-retrato pelas crianças e adolescentes portadores de perturbação psiquiátrica, que frequentam individualmente, em grupo terapêutico ou na valência de hospital de dia a intervenção psicomotora.

Esta atividade contou com a colaboração das estagiárias do Curso Profissional de Apoio à Infância da ESEB – IPBEJA – Beatriz Garrido e Cheila Marques, sob a coordenação da TSSER/ Psicomotricista Dr.ª Maria João Dores e com a supervisão da diretora do SPIA, Dr.ª Isabel Santos.

 

A PREPARAÇÃO E OBJETIVOS DA EXPOSIÇÃO

No Dia Mundial da Criança, o Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência(SPIA) da ULSBA, propõe um olhar através do corpo.

“A evolução da criança é sinónimo de consciencialização e conhecimento cada vez mais profundo do seu corpo, a criança é o seu corpo, pois é através dele que a criança elabora todas as suas experiências vitais e organiza toda a sua personalidade.” Ajuriaguerra, 1977

No SPIA a intervenção psicomotora foca-se na ligação entre corpo e mente.

Através do corpo e do agir é fomentada a expressão de emoções, a consciencialização da imagem e dos limites a nível corporal e da função do corpo no comportamento de cada um e como espelho de emoções.

Através de atividades de mediação corporal e expressiva geram-se interações sociais mais adequadas, fomentam-se a capacidade de tolerar a frustração e  a capacidade de mentalização do que é vivido nas sessões.

Gradualmente, e através da relação com o terapeuta e  na relação interpares em grupos terapêuticos, trabalham-se os limites de cada um e  aspetos como a coesão de grupo funcionam como auxiliares no desenvolvimento de autoestima e autoimagem.

Este tipo de intervenção tem-se mostrado particularmente útil em situações em que há dificuldades acentuadas no relacionamento interpessoal e na comunicação por exemplo  as que se encontram associadas a Perturbações Psiquiátricas como as Perturbações Disruptivas de Comportamento , as Perturbações de Ansiedade como o Mutismo, e outras com Recusa escolar mantida, ou as Perturbações de Neurodesenvolvimento como a Perturbação de Hiperatividade e Défice de atenção e as que implicam  dificuldades de mentalização e de capacidade simbólica  como  o Autismo.

Durante e após esta atividade expressiva de elaboração do auto retrato, os utentes foram incentivados, de acordo com as suas capacidades, à verbalização e à reflexão sobre a sua imagem corporal, com o terapeuta ou em grupo; E a partir do corpo à reflexão sobre a imagem de si próprio, das suas capacidades e competências.

O prazer do agir e do fazer, neste caso o auto retrato, com a vivência dos sentimentos associados tem um efeito de contenção de emoções negativas. Em grupo a partilha desse olhar sobre si com o outro pode ser mais reveladora do conhecimento de si próprio.

Surgiram ainda temáticas relativas ao conhecimento e à aceitação das diferenças individuais, promovendo a tolerância. Já a descoberta de semelhanças entre si favoreceu a coesão de grupo. Simultaneamente foram trabalhados os fatores psicomotores como a noção do corpo, a estruturação espaço temporal e a praxia fina, manipulando e escolhendo elementos que podiam compor a construção de uma imagem que as representasse bem, incluindo as particularidades (cor dos cabelos, olhos, formato do nariz, comprimento do cabelo, formato da boca…) que caracterizam cada um deles.

Para além dos objetivos supracitados, iremos propor aos pais ou cuidadores destes utentes que identifiquem e comentem o desenho dos filhos com eles, num ambiente de interação lúdica, visando a estimulação da atenção conjunta, a comunicação verbal e não verbal e a interação afetiva entre ambos.

Recorreremos ainda à auto imagem dos filhos para compreender a imagem que os pais têm deles e das suas competências.

Esta atividade, mediada pelos terapeutas, poderá  devolver um olhar diferente sobre os filhos, fortalecendo os vínculos afetivos entre ambos.

   


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